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Moro nega ‘questão pessoal’ contra Lula na investigação da Lava Jato

Foto: reprodução/ABr

Ex-juiz federal de Curitiba-PR e ex-ministro da Justiça no governo de Jair Bolsonaro, Sérgio Moro negou ter promovido qualquer tipo de perseguição contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva enquanto coordenou as investigações da Operação Lava Jato, que apurou desvios na Petrobras.

Em entrevista a Mário Kertész hoje (13), durante o Jornal da Bahia no Ar da Rádio Metrópole, ele comentou que a operação desvendou e deixou claro que houve um “loteamento” na estatal. “Nunca tive questão pessoal envolvida nesses processos”, disse Moro. “Quem cometeu um crime de corrupção, de lavagem ou violento em outro cenários tem que responder pelos seus atos. Havia esse mega-esquema de suborno na Petrobras e ele era um esquema que envolvia enriquecimento ilícito dos gerentes e diretores da Petrobras, que repartiam esses valores com agentes e partidos políticos. A Petrobras foi loteada. A diretoria internacional era do PMDB, de abastecimento era do PP e de engenharia do PT. Esse dinheiro fluía. Nesse cenário, os políticos que enriqueceram foram os que controlaram essas diretorias”, declarou o ex-juiz.

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Moro reforçou sua independência citando os julgamentos em tribunais superiores. “O PT já vinha daquela história do Mensalão. A corrupção no pT não era uma coisa nova, já havia sido revelada no âmbito do Mensalão do Joaquim Barbosa. Você tem Dirceu, Palocci e confissões. Palocci confessou toda a relação criminosa que tinha com a Odebrecht e o ex-presidente Lula. Esses processos contra o ex-presidente Lula, a gente sabe que ele fez coisas boas, ampliou o Bolsa Família como programa de transferência de renda importante, é uma figura que tem uma história e seus vários lapsos, mas era meu dever como juiz proferir a sentença segundo as provas que foram demonstradas”, disse. “A defesa do presidente tenta colocar como se fosse algo pessoal. Mas a minha sentença foi confirmada pelo tribunal de apelação de Porto Alegre, confirmada pelo STJ e depois ele foi condenado em outro processo por outro juiz. Todas essas pessoas em volta do presidente se corromperam, acrescentou.

No entanto, Moro voltou a falar que não havia nenhum tipo de proteção a outros agentes políticos. Ele cita, como exemplo, a situação do PSDB, que também apareceu envolvido nos esquemas de corrupção. “Há uma gama de provas significativas, não tinha nenhuma perseguição. Tudo que apareceu na Lava Jato, a gente não protegeu ninguém. A questão do PSDB é que, nesse esquema criminoso, vicejou como provas para nós, se teve antes eu não sei, pode ser que tenha tido,mas que a gente conseguiu construir historicamente foi da época que tinha esse governo do PT e o loteamento para o PMDB, PP e outros partidos da base aliada. Não estava o PSDB, por que iriam pagar propina para o esquema da Petrobras? A partir do momento em que começou a se ampliar a investigação e começou a revelar corrupção em governo estaduais, começou a surgir nomes de políticos de outros partidos”, disse Moro.

“O pessoal critica Curitiba e a mim por conta do ex-senador Aécio Neves. Tudo o que apareceu dele ficou no STF, porque ele tem foro privilegiado. Então, nunca tivemos um processo envolvendo ele, José Serra ou outro de foro privilegiado. É engraçado que não teve processo ou condenação dessas pessoas. Bem, não passou por nós. Mas veja, ainda assim, foi um esquema que não poupou ninguém. Todos os partidos tiveram impacto”, acrescentou.

Fonte: Metro1