Após assalto, Sturaro diz que situação seria diferente se ele estivesse fardado

Com informações do Metro1

Reprodução / Youtube

O comandante de Operações Policiais da Polícia Militar, coronel Humberto Sturaro, falou a José Eduardo, hoje (12), na Rádio Metrópole, sobre os momentos de tensão que viveu ontem (11), quando foi assaltado em Vilas do Atlântico, na Região Metropolitana de Salvador. Sturaro foi abordado no início da manhã e teve o carro e todos os pertences levados, incluindo a arma que estava dentro do veículo. Durante a entrevista, ele ressaltou que não estava armado no momento da ação dos bandidos porque queria estar ali como “um ser humano”, e não como coronel.

“As pessoas têm que entender que dentro da farda existe um ser humano. Todo policial militar é um ser humano, tem uma vida pessoal, uma vida particular. Se fosse o coronel Sturaro fardado em sua viatura, sendo assaltado, a situação seria outra. Eu falo por mim, não posso falar pelos outros companheiros. (…) Então, peguei um feriado, marquei com um amigo 6h30 da manhã em Vilas. Por que escolhi parar meu carro naquele local? Porque ali é um local monitorado, cheio de câmeras, tranquilo. Aí a pessoa fala ‘poxa, o coronel foi fazer uma atividade e desceu desarmado?’, lógico, é uma opção minha. (…) Por ter passado por mais de uma situação de risco, eu tenho a opção de não fazer minha atividade armado. Porque naquele momento eu quero estar na minha ordem, com a minha cabeça voltada a minha atividade de lazer. Não quero estar tenso e preocupado. (…) O indivíduo chegou por trás e deu a ordem de assalto. Se eu estou armado e viro pra ele, talvez não estivesse aqui nesse momento. Aqueles que criticam essa postura minha, guardem pra vocês, porque eu prefiro não colocar em risco o meu amigo que está do meu lado”, relatou.

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O veículo e a arma de Sturaro foram localizados e recuperados em poucas horas, o que gerou comentários de internautas sobre os “privilégios” do coronel dentro da corporação. Na entrevista a José Eduardo, ele rebateu as críticas.

“Já estão falando, ‘ah, porque o carro era do coronel, foi achado, a arma foi achada porque era do coronel’, porque tem gente dizendo que as coisas pra mim seriam diferentes por eu ser coronel e não ser soldado. Que absurdo! Hoje nós, policiais, somos um grupo único. Aí chega um idiota pra falar que as coisas são diferentes. Ontem, vários soldados me ajudaram. Meu carro foi localizado porque tem rastreador. E o trabalho de inteligência que levou à localização da minha arma foi porque graças à filmagem nós descobrimos quem foi. Podia ser de qualquer um”, afirmou.

Sturaro ainda queixou-se de comentários que denotam “preconceito” contra policiais que melhoram de vida. “Falaram até do meu carro. Meus soldados hoje têm nível superior. O policial hoje tem farmácia, padaria, loja de roupa, ele procura crescer! O errado é ele desviar a função dele, usar a instituição para crescer. (…) A pessoa quer que você não more bem, sabe aquele tipo que é assim, ‘você é polícia porque não estudou’, eu tenho 35 anos de polícia e minha atividade foi feita na rua. Fui ser policial por opção. (…) Eu não aceito isso. Se o coronel chegasse ali de bicicleta, mal, aí o pessoal tava feliz. Se eu chegasse numa cinquentinha, numa 125, aí ‘nego’ tava feliz, porque querem ver o coronel assim”, disse.