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Bate boca entre embaixadora brasileira e Jean Wyllys causa constrangimento na ONU

Com informações do UOL

Foto: reprodução/vídeo

A ONU foi hoje palco de um bate boca promovido pela embaixadora do Brasil, Maria Nazareth Farani Azevedo, que ainda se recusou a ficar para ouvir uma resposta do ex-deputado, Jean Wyllys.

O ativista que abandonou o Brasil foi convidado a falar em um debate sobre o populismo no mundo. Em sua fala, porém, ele alertou para a suposta relação entre o crime organizado e o governo brasileiro, fazendo referências até mesmo ao assassinato de Marielle Franco.

“Os novos autoritarismos são os velhos autoritarismos agora articulados com as características próprias da contemporaneidade”, disse Wyllys, em seu discurso. “Novos autoritarismos, como o do Brasil, continuam elegendo inimigos internos da nação por meio da difamação e constituindo grupos para culpá-los pelos problemas econômicos”, afirmou.

“A diferença é que agora estão articulados com as novas tecnologias da informação. Articulam com organizações criminosas que se infiltram no estado, e tem um fundo religioso e moralista muito mais acentuado”, alertou o ex-deputado.

“Sou a prova da eficiência desses novos métodos utilizados pelos novos autoritarismos”, insistiu. “Não pude assumir meu terceiro mandato do qual fui democraticamente eleito por conta de ameaças de morte que vinha recebendo desde 2011 e, em especial, durante a campanha [de 2018]”, explicou.

Ao explicar a vitória de Bolsonaro, ele apontou como a campanha havia sido baseada na disseminação de fake news e no discurso de ódio.

Maria Nazareth Farani Azevedo, a embaixadora do Brasil na ONU, não estava na sala no momento do discurso e, em toda a semana, não apareceu em nenhum dos eventos organizados por ONGs para tratar da situação no Brasil. Mas, nesta sexta-feira, ela entrou no local, depois de o evento já ter sido iniciado.

Ela chegou a pedir para intervir no meio das falas dos demais membros do painel organizado para debater o populismo no mundo. Mas a moderadora, num primeiro momento, a ignorou. Com o tempo do debate se esgotando, ela mandou recado de que queria falar, o que levou a moderadora do debate a abrir espaço para a embaixadora. Ao tomar a palavra, a diplomata passou ao ataque contra Jean Willys.

“Bolsonaro não abandonou o Brasil, mesmo depois de ter levado uma tentativa real de tirar sua vida”, disse. Segundo ela, Bolsonaro estaria “trabalhando duro”. “Mas essa é a era de fake news e cabe a nós, pessoas sérias, esclarecer”, afirmou.

“Não é um criminoso e seu governo não é uma organização criminosa”, insistiu a embaixadora, que ainda esclareceu que Bolsonaro “não é racista, fascista ou autoritário”.

“Ele não cuspiu na cara da democracia”, disse a embaixadora, numa referência aos incidentes no dia do impeachment de Dilma Rousseff e sem mencionar que Bolsonaro teria elogiado um torturador. “Ele escolheu os votos, a eleição e o diálogo”, declarou.