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Sérgio Cabral acusa Pezão de receber propina: “Eu mesmo mandava entregar”

Via RedeTV!

Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

Ex-governador do Rio, Sérgio Cabral disse, em depoimento ao juiz Marcelo Bretas (responsável pelas ações da Lava Jato em 1ª instância no Rio), nesta terça-feira (26), que o então vice-governador e secretário de Obras, Luiz Fernando Pezão, recebia valores indevidos por meio de propina.

Conforme Cabral, Pezão “recebia cerca de R$ 150 mil que eu mesmo mandava entregar a ele desde que ele era secretário de Obras e não é uma mentira de qualquer delator”.

Preso desde novembro e já condenado diversas vezes, Cabral ainda é investigado pelo recebimento de dinheiro ilícito. Segundo ele, as propinas já eram cobradas por governos anteriores, mas ele classificou seu caso como “um erro meu de postura, de apego ao poder, a tudo isso, um vício”.

Segundo Cabral, a campanha de Pezão ao governo do estado custou R$ 400 milhões. Ao ser lembrado por Bretas de que, anteriormente, tinha negado esses fatos, Cabral declarou que havia faltado com a verdade: “Eu peço desculpas, porque eu menti.”

De acordo com Cabral, quase todos empresários que fazem doações eleitorais esperam receber algo em troca no futuro. “Raríssimos os empresários que deram dinheiro em campanhas eleitoral que não esperavam resultados. Todos esperam um retorno. É uma espécie de toma lá dá cá. Você me ajudou, e eu vou ajudá-lo”, explicou.

CAIXA 2

Questionado por Bretas por que ele sempre havia dito que o dinheiro de propina era caixa 2, Cabral respondeu que era difícil admitir, dizer que havia roubado. “Dói muito. Hoje não me dói mais. A alguém que tem uma carreira política reconhecida pela população, dói muito [chegar aqui e dizer que roubou].”

Sobre a participação de sua esposa, a advogada Adriana Ancelmo, no esquema de pagamento de propina, o ex-governador negou: “Adriana tinha o escritório dela, e eu contaminei o escritório dela. Enganei minha esposa. E a prejudiquei.”

A mudança de postura de Cabral reflete a troca dos responsáveis por sua defesa, que era feita pelo advogado Rodrigo Roca, substituído recentemente por Marcio Delambert, com objetivo de diminuir o total das penas impostas a ele, que já chega a 200 anos de prisão.

DEFESA DE CÔRTES

O advogado Gustavo Teixeira, que defende o ex-secretário Sérgio Côrtes, e seu cliente assistiram ao depoimento de Cabral. Ele disse que o depoimento do ex-governador nada acrescentou ao que Côrtes já havia admitido em juizo. Segundo o advogado, Côrtes já havia confessado o recebimento de propina, tendo inclusive feito a devolução de R$ 15 milhões à Justiça.

A reportagem ainda não conseguiu contato com a defesa dos demais citados por Cabral.