“Tragédia de Mar Grande” completa um ano nesta sexta (24)

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Quinta-feira, 24 de agosto de 2017. Eram pouco mais de 7h da manhã, chovia muito na capital baiana, quando os veículos de comunicação anunciaram que uma embarcação que fazia a travessia Salvador-Mar Grande havia naufragado na Baía de Todos os Santos, na localidade de Mar Grande, município de Vera Cruz, na Ilha de Itaparica. Era a maior tragédia resgistrada nas últimas décadas.

Tragédia anunciada. Assim classificaram os sobreviventes do naufrágio da lancha Cavalo Marinho I. Ao todo, 19 pessoas morreram. Mais de 80 pessoas ficaram feridas e centenas de famílias impactadas. Entre os mortos estava o pequeno David Gabriel, de apenas seis meses. Ele chegou a ser socorrido por um agente do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), mas não resistiu após sofrer três paradas cardíacas.

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O que era para ser um dia normal, virou pesadelo. O tradicional trajeto feito por soteropolitanos e turistas se tornaria o caminho do mais trágico dos acontecimentos marítimos do estado. Um ano após a tragédia, pouca coisa mudou. Ou nada. É o que conta uma das sobreviventes do naufrágio, Michele Amorim, de 33 anos. “Seria um dia comum como qualquer outro. A lancha era nosso meio de transporte, nosso ônibus”, conta a técnica de enfermagem, ao site Radar da Bahia.

Foto: reprodução/Radar da Bahia

Naquela manhã tudo que foi construído pelos passageiros da Cavalo Marinho I ficou nas águas da Baía. “As [mesmas] pessoas usavam o transporte todos os dias, então, acabamos formando um vínculo. Foi um dia muito triste”, disse ela, que utilizava a lancha para trabalhar. No entanto, essa rotina mudou. Um ano depois, Michele afirma que não usa mais o serviço de travessia. “Tem outro meio de viajar, que é o ferry-boat. Apesar de ser precário, é mais seguro do que a lancha. Não atravesso mais via lancha com tempo ruim. Vou e volto usando o ferry”, explica. “Muda a nossa rotina, por que os horários são diferentes da lancha e do ferry. Se perder o ferry, chego atrasada”, esclarece.

Michele resumiu a sensação de ter vivido essa tragédia numa única palavra: impunidade. “Faltou segurança. Daria qualquer coisa para que houvesse segurança”, contou. E não é para menos. Apesar de não ter perdido nenhum amigo, a técnica de enfermagem foi taxativa ao ser questionada sobre o acontecido. “Não desejo que ninguém passe por isso que vivi. Outra tragédia poderia ter acontecido”, finalizou.

Os familiares das vítimas tentam na Justiça uma forma de amenizar a dor. O impasse continua. A empresa CL Transportes Marítimo, proprietária da Cavalo Marinho I, a Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos da Bahia (Agerba) e a Capitania dos Portos da Bahia são réus do processo movido pelas Defensorias Públicas Estadual e Federal por conta do naufrágio. O principal argumento é a situação em que se encontravam os coletes salva-vidas da lancha. Sobreviventes afirmaram que muitos coletes estavam amarrados de tal forma que seria, praticamente, impossível vesti-los em uma emergência. O encontro primeiro encontro entre as partes aconteceu em Salvador, no último dia 6 de agosto, mas a reunião terminou sem acordo. Uma nova rodada de negociação deve acontecer entre os envolvidos.

MISSA

Nesta sexta-feira (24) foi realizada uma mobilização em homenagem as vítimas da “Tragédia de Mar Grande”. Os moradores de Mar Grande saíram em caminhada e depois foi celebrado um culto ecumênico, na ação denominada “Nossos mortos têm voz”, as 8h30, no Fórum da cidade. *Com informações do Radar da Bahia

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