Quadrilha que exigiu R$ 5 milhões por cigano sequestrado na Bahia é identificada; Cinco já foram presos

Redação com Aratu

Foto: Divulgação/Polícia Civil

A Polícia Civil anunciou na tarde desta terça-feira (5/9) a prisão de cinco homens suspeitos de sequestrar o cigano Iranildo Gama Queiroz, que continua desaparecido. O crime aconteceu no mês de agosto no município de Ilhéus, a 460 km de Salvador. Outros três integrantes da quadrilha também foram identificados e estão sendo procurados.

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O titular da Coordenadoria de Polícia Civil do Interior (Coorpin/Ilhéus), Evy Paternostro, informou que o primeiro a ser preso foi Elquizedek Mascarenhas Gomes, capturado pelo Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco) na Região Metropolitana de Salvador.

De acordo com as investigações, ele estava com um documento falso em nome de Lucas Lima Santos. Com o suspeito, os policiais disseram que encontraram o recibo de um imóvel alugado pela quadrilha, em Ilhéus. Elquizedek é apontado ainda por participação em assaltos a bancos e estava foragido do sistema prisional.

Ainda segundo a Polícia Civil, o imóvel, localizado no bairro São Domingos, era utilizado como base logística dos sequestradores. Na residência, os agentes apreenderam objetos pessoais, documentos, munições de fuzil calibre 5,56 e uma camisa preta com o nome da Polícia Civil, semelhante à usada pelos criminosos.

Elquizedek foi localizado no dia 21 de agosto e, inicialmente, negou a participação no crime, mas foi delatado pela sua companheira de identidade não revelada, que também denunciou a participação de outro criminoso apelidado de “Léo”, identificado em seguida como Anderson Santos Weber.

MAIS PRESOS

“Léo” confessou participação no crime em depoimento. Ele disse que a vítima teria sido executada logo depois do pagamento de parte do resgate. O criminoso teve o mandado de prisão cumprido no dia 24 de agosto. No mesmo dia, os irmãos ciganos Pascoel e Luciano Ribeiro Dantas foram presos em Vitória da Conquista.

Os irmãos também estavam com as prisões decretadas pela Justiça e, segundo a investigação coordenada pelo delegado Evy Paternostro, são apontados como os mentores do sequestro. Dois mandados de busca e apreensão também foram cumpridos em imóveis de Pascoel e Luciano, onde a policia apreendeu três pistolas calibres 380, três revólveres calibre 38 e munições, além de celulares, documentos relacionados à investigação.

A polícia conseguiu identificar a agência e conta corrente onde parte do dinheiro pago pela família de Iranildo havia sido depositado por “Léo”, no estado do Mato Grosso. A justiça determinou o bloqueio dos valores, e Girlene Souza Nascimento foi presa, em Cuiabá, pela Polícia Civil do Mato Grosso, quando tentava sacar R$ 155 mil.

PROCURADOS

Outros quatro envolvidos no sequestro estão com mandado de prisão em aberto. São eles: Adilson Pimentel Dantas, o “Lobato”, André Luís Carvalho, o “André Goiano”, integrante do PCC, e um homem apelidado de “Ubaitaba”.

“André Goiano”, detalha ainda Polícia Civil, tem passagens por assalto a banco. Está foragido do sistema prisional e, de acordo com as investigações, atuou como organizador e elo dos ciganos mandantes. Foi também o negociador dos sequestradores na exigência do resgate.

Um adolescente também foi identificado, em Salvador, como participante do crime e está sendo procurado. “Outras pessoas estão sendo investigada como partícipes, pois forneceram cartões de crédito para despesas e contas correntes para movimentação de valores obtidos com o resgate pago”, explicou o delegado Evy Patesnostro.

O CRIME

Na tarde de 8 de agosto de 2017, o cigano Iranildo Gama Queiroz, foi levado de um bar, no bairro Iguape, em Ilhéus, por homens fortemente armados, que chegaram em diversos veículos. O grupo trajava camisas pretas com inscrições pintadas em branco com o nome “Polícia Civil”.

O grupo fugiu em direção à região da Península de Maraú e, poucas horas depois, a polícia conseguiu apreender três carros utilizados na ação: uma picape Fiat Toro, cor branca, um Palio, cor cinza, e um Ecosport, cor branca.

A quadrilha exigiu R$ 5 milhões como pagamento para libertar a vítima e a família chegou a depositar R$ 500 mil, mas Iranildo não foi liberado. Os contatos dos sequestradores, então, foram suspensos. De acordo com depoimento de testemunhas ouvidas durante a investigação, ele foi executado pela quadrilha.

A ação, batizada de Operação Marujo, conduzida pela equipe da 7ª Coorpin/Ilhéus contou com o apoio de equipes do Draco, Superintendência de Inteligência (SI/SSP), além do suporte do Ministério Público e 2ª Vara Crime, de Ilhéus.

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