PROMESSA: Após multa bilionária e demissões em massa, Odebrecht diz investir R$65 milhões contra corrupção

Do Blog de Pablo Reis, Aratu Online

Foto: Reprodução

Depois de acordo de leniência com Ministério Publico Federal do Brasil e Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que teve pagamento de multa superior a R$8 bilhões a e obrigatoriedade de divulgação de princípios éticos, a Odebrecht vai aumentar em seis vezes o orçamento para a Conformidade (ou Compliance). Em 2015, cerca de R$11 milhões foram usados nesse segmento. Para 2017, a previsão é de R$ 65 milhões, mais cerca de R$ 60 milhões para contratação de monitores independentes, que vão auferir como o Grupo está cumprindo as metas acordadas com os órgãos de justiça.

Internamente, os executivos consideram fundamentais as estratégias para recuperar o respeito da sociedade, o que a própria holding chama de “direito de existir” e “direito de conviver”. Antes da crise e da prisão dos principais executivos (o ex-presidente Marcelo Odebrecht, neto do fundador Norberto, detido desde junho de 2015 e condenado a 19 anos de de cadeia), o grupo tinha índice de reputação de 65%. Agora está em 16,9%. A empresa também encolheu mais da metade, perdendo 100 mil colaboradores nos últimos anos. Dos 77 delatores da empresa, 51 foram demitidos e 26 continuam a serviço.

Uma das medidas práticas foi a criação da Linha de Ética, um canal de comunicação com atendimento 24 horas por telefone (0800 377 8011) ou internet (www.odebrecht.com/linhadeetica) para atender a denúncias sobre qualquer comportamento inadequado. Segundo a empresa, a linha de comunicação é operada por empresa terceirizada, o que garantiria sigilo e confidencialidade.

A partir de 22 de março de 2016, considerado nas centenas de unidades das 10 empresas do grupo como o Dia D,quando foi firmado o acordo de colaboração definitiva com a justiça, a empresa passou a ser rigorosa interna e externamente. Os contratos foram revisados e, hoje, os líderes dizem que há um Código de Conduta para os fornecedores, inclusive com avaliação sobre os dirigentes das empresas.

“Não existe mais a possibilidade de contratos que não sejam com as boas práticas. Vamos abrir mão de receitas, se for preciso. Não queremos mais abrir espaço para extorsão”, respondeu a baiana Olga Pontes, 41 anos, Diretora de Conformidade da empresa, a um questionamento deste blog.

Olga Pontes, Diretora de Conformidade da Odebrecht

“Vamos querer saber quais as práticas dos órgãos públicos para combater e controlar a corrupção. Se formos extorquidos ou assediados por qualquer agente público, não podemos apenas sair de fininho. É nosso dever denunciar”, reforçou Olga, que está no sétimo mês de gravidez e pretende criar a filha no Brasil. Ela diz que participou de investigações em que todas as medidas internas foram tomadas e, como não deram solução por envolver agentes públicos, passaram o caso para a Controladoria Geral Da União.

Um seminário interno com 170 líderes foi realizado, no qual o presidente do Conselho de Administração e principal articulador da delação, Emilio Odebrecht, avisou que não aceitaria mais “flexibilização nos negócios”. “Espírito de integridade, é isso o que precisamos”, declarou o decano, filho de Norberto.

Em fevereiro deste ano, o grupo passou a contratar monitores independentes, que têm livre acesso às empresas, para medirem o cumprimento dos acordos de leniência assinados com Ministério Público Federal do Brasil, Departamento de Justiça dos Estados Unidos, Procuradoria Geral da Suiça e autoridades da República Dominicana e Equador.

Quinze meses após a divulgação dos Dez Mandamentos, a empresa iniciou, pela Bahia, uma jornada para reerguer a reputação, com um ciclo de encontros com jornalistas para mostrar as práticas contra a corrupção. Segundo Olga Pontes, 41 anos, a alta liderança da Odebrecht determinou que a organização adotasse as melhores práticas das principais empresas do mundo.

A raiz encontrada por Norberto Odebrecht que virou símbolo da empresa

“Adianto que estamos determinados a virar a página e deixar no passado erros e práticas que não tenham sido em conformidade com as melhores práticas”, disse Marcelo Gentil, responsável pela comunicação do grupo na Bahia. “A Odebrecht está consciente que cumpriu seu dever ao assumir o compromisso com a justiça. Entendemos que os veículos de comunicação têm o dever de suscitar o debate”.

O grupo atualmente tem 78 mil colaboradores. No melhor momento, as empresas tiveram 180 mil funcionários.