Após 41 anos de prisão, ‘Chico Picadinho’ deve ser solto por ordem da Justiça de SP

Um dos mais conhecidos criminosos da história policial brasileira, Francisco da Costa Rocha, o “Chico Picadinho”, que matou e esquartejou duas mulheres em São Paulo nas décadas de 1960 e 1970, deve ser libertado após 41 anos de prisão – onze a mais do que a lei permite. O primeiro crime foi registrado em 1966, quando esquartejou a suíça Margareth Suida.

Ele chegou a cumprir 8 anos de prisão e foi solto por bom comportamento. Em 1976, ele matou Ângela de Souza da Silva, que esquartejou usando faca, canivete e serrote. Um exame feito antes do julgamento o diagnosticou com “personalidade psicopática com manifestações sádicas”. A pena foi concluída em 1998, quando ele tinha 56 anos.

Segundo informações do programa Fantástico, da TV Globo, ele chegou a pedir liberdade, mas não foi atendido, e permaneceu na Casa de Custódia de Taubaté, em São Paulo. De acordo com a juíza Sueli Zeraik Armani, da Vara de Execuções Criminais de Taubaté, ele está sendo mantido preso por uma interdição na esfera civil, pedido pelo Ministério Público.

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As interdições civis são aplicadas quando se considera que alguém é incapaz de assumir responsabilidades do dia a dia, como movimentar contas bancárias e assinar contratos, mas não subsidiam a permanência dessa pessoa na cadeia, como decidiu o juiz que avaliou o caso à época.

Em 2002, a Casa de Custódia virou um hospital penitenciário. Apesar de ser considerado psicopata, Chico Picadinho é visto como alguém que pode responder seus atos. Como sua pena já foi extinta, a juíza Sueli Zeraik decidiu, no início deste mês, que a prisão é ilegal e arbitrária – a sentença teve a concordância do MP.

Já o psiquiatra Charles Kiraly, que atuou na Casa de Custódia por 17 anos, acredita que ele não pode voltar ao convívio na sociedade. “Não adianta tratá-los, porque quando você trata, eles pioram. Eles são manipuladores”, afirma. Chico vive sozinho em uma cela e não recebe visitas. Funcionários afirmam que ele é um preso tranquilo. Ele trabalha na biblioteca da unidade, gosta muito de ler e pinta quadros. “Ele é um preso exemplar, nunca teve nenhum problema”, apontou o promotor Luiz Marcelo Negrini.

A libertação será feita de forma gradual. Inicialmente, ele terá direito a saídas para acompanhamento psicoterápico, acompanhado de um funcionário. Após essa etapa, Chico será solto, e caberá à Secretaria de Saúde do estado conseguir um local para ele morar. A pasta afirmou que ainda não foi notificada sobre o caso.

*Do BN