ViaBahia pagou mais de R$ 6 mi para construtora investigada pela Lava Jato

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A quebra de sigilo da Credencial Construções traz o nome da Viabahia Concessões de Rodovias, que venceu durante o governo do ex-presidente Lula, um leilão para  administrar dois trechos de BRs na Bahia. A Credencial teve os donos presos na Operação Vício, deflagrada na terça-feira (24) por fornecerem ‘notas frias’ no esquema de corrupção na Petrobras.

A movimentação financeira da Credencial é o principal foco de investigações da 30ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Operação Vício. Uma das empresas que aparece na quebra de sigilo da Credencial é a ViaBahia Concessionária de Rodovias S.A.

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Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a ViaBahia repassou em 2013 um total de R$ 6,2 milhões para a empresa alvo da Operação Vício. De acordo com os investigadores, a firma aberta em 2004 com sede em Sumaré (SP) é “uma lavanderia de dinheiro”.

A ViaBahia foi formada pela espanhola Isolux Corsán Concesiones e pelas brasileiras Engevix – do cartel denunciado na Lava Jato – e da Encalso. A empresa venceu, em 2009, um dos pacotes do leilão de concessão do governo Luiz Inácio Lula da Silva para administrar por 25 anos 680 quilômetros de rodovias, entre elas trecho da BR-116 (rodovia Santos Dumont) entre Feira de Santana até a divisa com o Minas Gerais, e a BR-324 (rodovia Engenheiro Vasco Filho) entre Salvador e Feira de Santana. A Isolux deixou a sociedade neste ano.

R$ 2,9 milhões repassados, entre 2010 e 2011, para a Credencial por uma empresa de nome Isolux Projetos e Instalações – ligada à Isolux espanhola, também aparace na quebra de sigilo.

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa citou a área de concessões de rodovias, no mês de agosto de 2014, como alvo de acertos.

De acordo com Costa, obras em ferrovias e aeroportos também estavam condicionadas às composições com políticos da base do governo, em especial o PT, PMDB e PP.
Lavanderia. Os donos da Credencial foram os únicos presos da Operação Vício, deflagrada nesta terça-feira, 24. Eduardo Aparecido de Meira e Flavio Henrique de Oliveira Macedo estão em Curitiba.

“Ela (Credencial) recebe mais de R$ 30 milhões. A maior parte da quantia era, na sequência revertido em transferências para contas dos donos e os valores sacados”, afirma o procurador da República Roberson Pozzobon, da equipe da Lava Jato.

A força-tarefa não tem dúvidas de que a Credencial era uma empresa especializada em fornecer notas para ocultar propinas e ilícitos.

A reportagem do Estado de S. Paulo diz ainda que a Credencial foi indicada pelo irmão do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu Luiz Eduardo Oliveira e Silva para que o lobista e operador de propinas Julio Gerin Camargo repassasse valores da corrupção em contrato da Petrobrás com a Apolo Tubulars, por contrato de fornecimento de tubulações para a Petrobras.

Julio indicou um contrato fictício com a Credencial para o repasse de R$ 700 mil restantes de uma propina de R$ 6,6 milhões acertada com o ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque – que seria indicado pelo PT e Dirceu na estatal – enter 2008 e 2009.

Em depoimento à Lava Jato, o operador de propinas Julio Gerin Camargo confessou que pagou propinas para José Dirceu referente ao contrato da Apolo na Petrobras. Os valores eram repassados em espécie e representavam 25% das comissões recebidas por ele na intermediação.

Dirceu. Julio Camargo diz que atrasou por certo período os pagamentos para José Dirceu, “ocasião em que foi procurado por Luis Eduardo para que realizasse o pagamento de uma forma diferente”. “Luiz Eduardo pediu que celebrasse um contrato com a empresa Credencial para em seguida efetuar depósitos na conta desse empresa.”

“O contrato era fictício e seu objeto não fora efetivamente prestado pela empresa”, afirmou Pascowitch, em sua delação premiada.

Procurado pelo Estado de S. Paulo, a ViaBahia afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que  contratou a Credencial em 2013 para prestação de serviços. “Em 2013, existia um contrato de prestação de serviços.”
Questionada sobre quais serviços foram executados, ela respondeu: “Assessoria técnica na área de projetos de engenharia”.

Segundo a empresa, “o contrato foi firmado pelos sócios da Credencial à época”. E que atualmente, “houve alteração do corpo técnico e diretivo da ViaBahia”.