Dilma anuncia ajustes e acusa: “querem transformar a CLT em letra morta”

Rovena Rosa/Agência Brasil
Rovena Rosa/Agência Brasil

A presidente Dilma Rousseff anunciou as esperadas “benesses” em discurso neste 1º de Maio em ato da CUT no Vale do Anhangabaú, em São Paulo. Entre eles estão o aumento médio de 9% no Bolsa Família, reajuste de 5% na tabela do Imposto de Renda, a criação de um “conselho tripartite”, composto de sindicato, empresas e governo, a ampliação da licença-paternidade para funcionários público e o lançamento do Plano Safra para a Agricultura familiar na próxima terça-feira (3).

Dilma também acusou “eles” (sem explicitar se falava sobre a oposição ou o vice Michel Temer) de tentar acabar com os programas sociais e disse que agora não se trata apenas de defender sua pessoa ou seu mandato, mas de uma “luta a favor de todas as conquistas democráticas conquistadas desde o governo Lula”.

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“Querem acabar”

“Propõem o fim da política de valorização do salário mínimo”, acusou Dilma, lembrando do aumento real de 79% no soldo obtido desde o primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva e de medida que obriga essa política durar até 2019.

“Querem acabar também com o reajuste dos aposentados, desvinculando esse reajuste dessa política de salário mínimo”, disse também a presidente da República.

“Querem também transformar a CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) em letra morta”, disse ainda Dilma. “Eles propõem que o (salário) negociado pode vigir sobre a lei, pode ser menos que a lei”, acusou. “Nós acreditamos que o negociado pode prevalecer desde que ele seja mais que a lei”, contrastou.

“Prometem e dizem explicitamente privatizar tudo o que for possível”, amedrontou também Dilma. “A primeira vítima é o pré-Sal”, previu.

“Nós somos o País que ainda tem muito o que fazer apesar de todas as conquistas na área da educação e da saúde”, continuou Dilma, acusando a oposição de querer acabar com a emenda 29 da Constituição, que obriga recursos mínimos para o financiamento das ações e serviços públicos de saúde. “Eles querem acabar”.

“Sempre que vocês ouvirem ‘vamos focar, vamos revisitar, vamos reolhar certas políticas sociais’, significa ‘vamos acabar com elas'”, afirmou Dilma, avaliando o discurso da oposição e, indiretamente, do que se aponta como programa de um eventual futuro governo Temer. Dilma disse que “eles” quererm “reverter” programas como o Pronatec e o Minha Casa Minha Vida.

Bolsa Família

Outro programa para cujo possível fim Dilma alertou foi o Bolsa Família. “Das coisas propostas que ocuparam a primeira página de jornal, a mais triste, porque é a mais perversa, é acabar com o Bolsa Família”, disse. “Eles falam que vão dar Bolsa Família apenas para os 5% mais pobres. São 10 milhões de pessoas”, continuou a presidente, lembrando que são 47 milhões de pessoas beneficiadas atualmente.

“Serão 36 milhões que serão entregues às livres forças do mercado para se virar. Vão acabar com o Bolsa Família para 36 milhões de brasileiros e brasileiras”.

Em seguida, a presidente anunciou o reajuste no programa e garantiu: “Essa proposta não nasceu hoje. Ela estava prevista desde quando nós enviamos, em agosto de 2015, o orçamento para o Congresso”.

A presidente afirmou ter tomado ainda medidas que viabilizaram o reajuste. “Tudo isso sem comprometer o cenário fiscal que eles gostam muito de dizer que nós comprometemos”.

A presidente também gabou-se da expansão recente do benefício dos contratos dos médicos do programa Mais Médicos, que acabariam em agosto.

“Golpe contra a democracia”

“O golpe é um golpe contra a democracia, contra as justiças sociais, contra também investimentos estratégicos do País, como o Pré-Sal”, disse Dilma na fase de conclusão de seu discurso.

“O mais grave de tudo que eles fizeram foi impedir que o Brasil tivesse combatido a crise econômica”, disse também a presidente, garantindo que seu governo fez esforços para controlar o desemprego. “Eles vão aprofundar a crise, ferindo a constituição”.

Em seguida, a presidente prometeu: “vou resistir e vou lutar até o fim”.

“Eu lutei, como vocês, a minha vida inteira. Eu fiquei presa durante três anos. Eu lutei e resisti contra a Ditadura. A luta agora é uma luta muito mais ampla. É uma luta que nós vamos levar a favor de todas as conquistas democráticas conquistadas desde o governo Lula e o meu. É sobre isso que se trata defender um projeto. Não é a minha pessoa, o meu mandato”, disse Dilma.

“Se querem esse projeto, vão às urnas em 2018, se coloquem sob o crivo do povo brasileiro. Se foram eleitos, conseguiram legitimamente. Mas da forma que eles querem, sem voto (…) não, não passarão”, finalizou.

Fonte: Jovem Pan

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