Alunos da Ufba impedem professor acusado de machismo e homofobia de dar aula

notUm protesto de estudantes da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom/Ufba) impediu que o professor Fernando Conceição desse aula na instituição na manhã desta quarta-feira (9). Os alunos bloquearam a porta da sala de aula com cadeiras e mesas, para impedir que o professor e outros estudantes passassem.

Segundo estudantes da Facom, o professor chegou a perguntar “vocês não vão deixar eu dar aula não?”. Diante da negativa dos manifestantes, o professor se retirou. Conceição foi acusado de fazer comentários machistas e homofóbicos durante as aulas da disciplina Comunicação e Atualidade I em uma nota de repúdio enviada pelo Centro Acadêmico (CA) de Comunicação Social na segunda-feira (7).

O texto traz frases que teriam sido ditas por Conceição em sala, como “livro grosso serve para bater na namorada” e “machismo, racismo e homofobia são opiniões”. A nota foi assinada por 33 pessoas e 13 organizações de estudantes, inclusive de outras universidades, e dá abertura para que outros alunos assinem. O professor também divulgou uma nota, na qual nega as acusações.

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De acordo com Conceição, pelo menos 13 das pessoas que assinam o documento não estão matriculadas em nenhuma das duas turmas da disciplina neste semestre. Ele ainda questiona a orientação política das organizações estudantis. “Todas, dentro ou fora da Facom, são aparelhos de determinado partido político cujas principais lideranças estão investigadas na Operação Lava Jato”, escreve.

Segundo informações do estudante de produção cultural Mateus Costa, membro do CA, ninguém denunciou o professor formalmente na ouvidoria da Ufba, mas a nota de repúdio foi encaminhada para o órgão e para a direção da Facom. O diretor em exercício da faculdade, Fábio Sadao, se reuniu com os estudantes nesta manhã e informou que uma reunião extraordinária acontecerá na próxima segunda-feira (14) e que as aulas da disciplina estão suspensas até lá.

Será feita ainda uma votação para determinar se haverá ou não a sindicância investigativa em relação às acusações de assédio. Sadão disse ainda que considera o protesto um direito dos estudantes. Ainda segundo o diretor, os membros do CA não aceitaram debater o assunto com o professor pois querem levar o assunto para a plenária dos estudantes.

Através das redes sociais, o CA divulgou um questionário para que os alunos que desejarem fazer denúncias contra o professor. Ex-alunos de Conceição também usaram as redes para manifestar apoio à nota de repúdio.

(Correio)